Mêncio – Meng Zi 孟子 (372-289 AC)
Posted on: 2018-01-23, by : susanamartins

O mais importante intérprete do confucionismo.

Por mais de dois mil anos, Mêncio (também conhecido por seu nome de nascimento Meng Ke) foi considerado como o principal intérprete do confucionismo. Mêncio foi um grande pensador e educador durante o Período dos Estados Combatentes (475-221 aC). Seu livro epônimo, Mêncio, é um dos quatro clássicos da escola confucionista.

Diferente dos escritos atribuídos à Confúcio, que são construídos em sua maioria em prosa, os sete capítulos de “Mencius” contêm longos diálogos – geralmente entre Mêncio e governantes de vários estados por onde passou como filósofo itinerante.

Seu objetivo fora ensinar o pensamento de Confúcio. Porém, ao interpretar Confúcio, Mêncio também inseriu às idéias confucionistas seu próprio pensamento. A medida que propagava as ideias do seu mestre, os argumentos sobre a bondade inata, sobre a maleabilidade da natureza humana, sobre o governo benevolente e sobre o direito das pessoas à revolução foram paulatinamente introduzidos no cenário intelectual da época e influenciaram muito a política, a ideologia, a cultura e a ética da sociedade chinesa, bem como a revolução nos anos seguintes.

Enquanto o próprio Confúcio não se concentrou explicitamente no assunto da natureza humana, Mêncio afirmou que havia uma bondade inata no indivíduo, acreditando que era a influência da sociedade – a falta de uma influência positiva – que causava um mau caráter moral. O auto conhecimento liberta, posto que “Aquele que exerce sua mente ao máximo conhece sua natureza”. O treino e os bons costumes poderiam resgatar o bem perdido, mas, ainda existente no ser humano já que “a maneira de aprender não é senão encontrar a mente perdida”. Ao mesmo tempo em que Mêncio acreditava que todos os seres humanos compartilham um bem inato que pode ser cultivado através da educação e da auto disciplina ele, no entanto, advertiu que “Pequena é a diferença entre o homem e a besta. O homem comum perde essa diferença, enquanto o educado a mantém.”

Mêncio também acreditava no poder do Destino em moldar os papéis dos seres humanos na sociedade. O que está destinado não pode ser inventado pelo intelecto humano ou previsto. O Destino não deve ser confundido com a sorte. Mêncio negou que o Céu protegeria uma pessoa independentemente de suas ações, dizendo: “Aquele que entende o Destino não vai ficar embaixo de uma parede vacilante”. O caminho adequado é aquele que é natural e não forçado. Não se deve sair do próprio caminho porque, “Caminhos não utilizados são cobertos com ervas daninhas”. Quem segue seu Destino viverá uma vida longa e bem-sucedida. Quem sai do seu próprio caminho morrerá antes de seu tempo.

Mêncio desenvolveu a doutrina confucionista do “governo benevolente” ao introduzir o conceito de “pessoas em primeiro lugar”; dando ênfase a urgência do governante colocar o bem estar dos cidadãos em primeiro lugar em qualquer circunstância. Mas, também abonou o “direito da revolução”. Alegava que, se um governante se tornasse um tirano implacável como o rei Zhou da dinastia Shang (1600-1046 aC), as pessoas deveriam ter o direito de matá-lo e essa matança não deveria ser considerado regicídio.

Muitos acreditam que a mãe de Mêncio foi de crucial importância para o pensador se tornar um grande filósofo. Por querer proporcionar a seu filho um ambiente adequado durante sua infância, ela se mudou três vezes. Segundo a lenda, seu pai morreu quando ele ainda era menino. Primeiro, ele e sua mãe moravam perto de um cemitério. Um dia, sua mãe o encontrou com outras crianças brincando de construir túmulos de lama. Ela pensou que este não era o lugar apropriado para criar seu filho. Então, mudou-se para perto de um mercado. Ao ver que seu filho começou a imitar os vendedores ambulantes – que geralmente eram desprezados na China antiga –  a mãe de Mêncio decidiu se mudar novamente. Finalmente, eles se mudaram próximo a uma escola. Inspirado pelo que viu e ouviu, Mêncio começou a imitar os hábitos de estudo dos alunos. Observando a mudança em Mêncio, sua mãe decidiu não se mudar novamente. Hoje em dia, o pensamento de Mêncio tem pouca influência, mas, é famoso na China o adágio popular da mãe que mudara três vezes por causa da educação do seu filho.

Referências bibliográficas

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