Chuang Tzu – Zhuang Zi 庄子 (369-286 AC)
Posted on: 2018-01-31, by : susanamartins

O grande Taoísta.

Chuang Tzu foi um importante filósofo taoísta no período dos Estados Combatentes (475-221 AC). Seu local de nascimento está apenas 50 quilômetros da cidade onde nasceu Lao Zi, o fundador do taoísmo. Os dois são considerados os representantes mais importantes da “Escola Lao Zhuang” do Taoísmo.

Há um clássico livro antigo com o seu nome; acredita-se que pelo menos os primeiros sete capítulos deste foram realmente escritos por ele ou por seus discípulos contemporâneos. Não existe um estilo literário específico na obra. Para explicar uma idéia ou um conceito, usa-se parábolas, diálogos, paradoxos e até piadas. Não há uma estrutura sistemática em seus textos. Segundo Chad Hansen, “Filosoficamente, Chuang Tzu nos parece mais com Hume do que um construtor de sistemas como Platão, Aristóteles ou Kant.

Neste livro, ao abordar o Dao (também conhecido como Caminho ou Grande Integridade) – o conceito essencial do taoísmo – ele ressalta que este é a fonte da criação, o processo de mudança constante do mundo e o caminho da ação humana que pode alinhar os indivíduos com universo abrangente.

Ao expor sua teoria do conhecimento, enfatizou que nomes e conceitos são tentativas genuinamente humanas de categorizar o mundo, e que este processo de nomear as coisas quase sempre resulta em fracasso. Para ele, o juízo de gosto é completamente subjetivo e o que achamos padrão de beleza é apenas uma tentativa de categorizar o que por natureza é relativo. Também, o juízo de valor pode ser passível de dúvida porque “Do jeito que eu vejo, as regras de benevolência e justiça e a diferença entre os caminhos do certo e do errado, pode ser para outrem apenas um ponto de vista confuso“.

Ao mesmo tempo, Chuang Tzu defende viver a vida de forma tão natural quanto possível. Ele diz que um homem deve aceitar suas inclinações e aptidões da maneira exata que elas são, ao invés de tentar mudá-las em resposta à pressão e crítica sociais.

Os escritos de Chuang Tzu foram influenciados pelo pensamento de Mêncio, seu contemporâneo. Semelhante a Mêncio, ele rejeita o tradicionalismo religioso do confucionismo, porém diverge no que diz respeito a natureza do Destino. Para Chuang Tzu, o destino não tem poder inflexível; o próprio destino pode ser maleável, assim como é a natureza. Seu relativismo abrange desde o conceito estrutural da linguagem até o fenômeno da natureza das coisas.

A história do “sábio chinês”, cantada por Raul Seixas, nasceu do episódio em que Chuang Tzu, certa vez, sonhava ser uma borboleta e nada sabia sobre a existência “do homem” Chuang Tzu . De repente, ao despertar ele percebeu ser Chuang Tzu. Então, neste momento, ele já não sabia se Chuang Tzu sonhou ser uma borboleta ou se , naquele momento, era uma borboleta sonhando ser Chuang Tzu. Ele deu a essa experiência o nome de “mudança de coisas”.

ZHANG, Ciyun. Ancient Chinese who left their marks on history. Shanghai: Shanghai Translation Publishing House, 2015.

GUO, Shangxing; SHENG, Xingqing. A history of Chinese Culture. Henan: Henan University Press, 2010.

WEN, Qing Zhuo (文青琢); YAN, Wen Yan (言文嫣). 新编说文解字大全集编委会编著,Pequim: China Overseas Chinese Press, 2011.

GRAHAM, Angus C. Chuang-tzu: The Seven Inner Chapters and Other Writings from the Book Chuang-tzu, Boston: Allen and Unwin, trans., 1981.

HASEN, Chad, “Zhuangzi”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Spring 2017 Edition), Edward N. Zalta (ed.).

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